Em Inhuma, presença de tucanos é fato raro e biólogo chama atenção para preservação e função deles na natureza
Dra. Maria Ângela Panelli, explicou que os tucanos são de fácil adaptação em diversas regiões devido ao fato de haver comida.

A presença de uma família de tucano-toco, o tucanuçu (Ramphastos toco) no município de Inhuma, a 245 quilômetros de Teresina, tem chamado atenção de moradores e foi até assunto em aplicativos de mensagens como WhatsApp. Os tucanos foram vistos ultimamente em duas comunidades da zona rural. Inhuma está inserida nos biomas Caatinga e Cerrado de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em uma delas, na Vereda do Forte, o proprietário da área rural, Daniel Rufino, relatou que há cinco anos chegou um casal e de lá para cá o número de animais aumentou. Na outra comunidade denominada Catingueiro, também foi visto um tucano. Nessa, não se sabe com precisão se o animal é da mesma família que foi vista na Vereda do Forte ou já é de outro bando. A localidade Recanto próximo aos Magros também foi citada por ter presenças das aves.
A veterinária e zootecnista com aperfeiçoamento em ortopedia animal, da cidade de Barretos em São Paulo, Dra. Maria Ângela Panelli, explicou ao Cidadesnanet.com que os tucanos são de fácil adaptação em diversas regiões devido ao fato de haver comida.
“Eles se adaptam em relação ao que tem de comida que é o principal para eles. Se tem comida eles ficam e proliferam”, destacou a ortopedista que trabalha com restauração de bico e membros de animais.
O biólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor do Jardim Botânico, Izar Aximoff, enfatizou que o tucano ocorre naturalmente dentro do Piauí. Na análise, por mapeamento, não há registro em Inhuma, mas é possível que a presença seja por expansão de área. Izar chamou atenção para importância deles na natureza e preservação das espécies.
“Esses animais são importantes na natureza porque são dispersores de frutos e desempenham uma função ecológica e se tirarmos eles talvez outra espécie não desempenhe essa função. É uma ave muito bonita e é bom vermos ela em vida livre. A gente se deleita com a visão de um animal desse próximo de nós e devemos garantir a proteção deles. Cada espécie tem sua função ecológica. Temos que respeitar e não prender eles em gaiola até porque é um crime ambiental”, frisou o biólogo.
Outro ponto em destaque é que a degradação da Mata Atlântica e do Cerrado por exemplo, pode ocasionar a migração de espécies para outros biomas e regiões do país.
“Aqui no estado do Rio de Janeiro não era comum. Há 20 anos não víamos o tucano-toco na cidade do Rio do Janeiro, e então, eles ampliaram a distribuição. Muitos outros animais estão ampliando aqui e temos a presença do lobo-guará, que é mais comum no ambiente cerrado. A mata atlântica vai sendo degradada, parecendo com cerrado, e eles vão expandindo a distribuição”, explicou Izar.
Tucano-toco
O tucano toco é o maior dos tucanos, vivendo em todo o Brasil central e partes da Amazônia. No Cerrado e na Mata Atlântica pode-se encontrar a espécie em maior número, em rápidas visitas a pomares e árvores com frutos. Ele mede em sua fase adulta 56 centímetros de comprimento e pode pesar 540 gramas. Com enorme bico alaranjado com uma mancha negra na ponta, possui plumagem negra, papo e o uropígio brancos, além do crisso manchado de vermelho. Destaca-se também a área de pele nua de cor laranja ao redor dos olhos e as pálpebras azuis. O bico amarelo-alaranjado de tecido ósseo esponjoso, que mede cerca de 20 centímetros, é duro e cortante, sendo usado como uma pinça para capturar alimento.



