Morte de Phillip Guerra completa três anos sem realização de julgamento
Acusado de matar menino está preso e pode ser solto por 'excesso de prazo'. TJ-PI não explicou o motivo de não julgar um acusado mil dias após o crime.
A morte trágica do menino Phillip Guerra, assassinado na porta de casa quando esperava por uma pizza em 2014, completa no próximo dia 18 de fevereiro três anos. Durante esse tempo, um dos acusados pelo crime ‘sumiu’ da Casa de Custódia, foi preso novamente, a audiência de instrução de julgamento foi adiada três vezes e o Ministério Público do Piauí deu parecer pela soltura desse mesmo suspeito por "excesso de prazo".
O MP-PI alegou que acusado Francisco das Chagas dos Santos Machado Sobrinho está preso há nove meses, que o prazo máximo para a realização da audiência é de 120 dias e ainda que seu encarceramento é um constrangimento ilegal.

“Eu, particularmente, perdi a confiança na Justiça. É incrível o Ministério Público dar um parecer favorável para um cara que fugiu pela porta da frente da Casa de Custodia, é impressionante. É frustrante para mim como pai ouvir que essa pessoa pode ser solta. É como se a vida do meu filho não valesse nada”, afirmou para o G1, Robson Guerra, pai de Phillip.
Sobre o relaxamento de prisão de Francisco Sobrinho, basta a Justiça seguir o parecer do MP para que ele seja solto. A decisão está a cargo do juíz Antonio Reis de Jesus Nolleto e deve sair nos próximos dias.
“A culpa é do sistema judicial. O fato de ele ser acusado de crime hediondo e outros homicídios não tira dele o direito que lhe assiste, de ter seu processo concluído dentro do prazo previsto em lei. Ele só poderia permanecer preso caso o atraso na instrução fosse culpa da defesa, mas não é o que acontece”, afirmou o promotor Regis Marinho, que assinou o parecer pela soltura e estava respondendo interinamente pela 14º Promotoria de Justiça.
Sobre os mais de mil dias desde o acontecimento do crime e a não realização do procedimento criminal dentro do prazo legal de 120 dias, o G1 procurou o Tribunal de Justiça do Piauí por três dias, mas não obteve resposta sobre o porquê da demora.
Phillip Hatus de Lima Guerra tinha seis anos de idade quando foi morto com um tiro no peito no dia 18 de fevereiro de 2014. O garoto esperava a chegada de uma pizza na companhia da mãe, do irmão e mais dois vizinhos quando foi alvejado. Na época, duas pessoas foram presas pelo crime, sendo uma delas adolescente.



