Brasil quase teve um presidente piauiense, mas uma tragédia mudou a história
Só que aquele menino que veio de Valença do Piauí sonhava com voos mais altos e iria ocupar cargos importantes na política nacional.

Um dos políticos piauienses mais notáveis quase chegou à Presidência da República. Petrônio Portella nasceu em Valença do Piauí e teve forte atuação na transição da ditadura militar para a democracia no Brasil.
Já era certo, nos bastidores da política, que o então ministro da Justiça seria o sucessor de João Figueiredo. O curso da história mudou quando uma tragédia não anunciada aconteceu.
Aos 11 anos, o jovem Portella chegou a Teresina e conseguiu vencer barreiras ao se formar em Direito pela então Universidade do Brasil (atual UFRJ), custeando os estudos como funcionário dos Correios.
Ele perdeu sua primeira eleição, em 1950, tornando-se suplente de deputado estadual. Anos mais tarde, o jogo virou: tornou-se deputado em 1954 e não parou por aí. Depois, foi prefeito de Teresina, em 1958, e, em 1962, chegou ao cargo máximo como governador do Piauí.
Só que aquele menino que veio de Valença do Piauí sonhava com voos mais altos e iria ocupar cargos importantes na política nacional.
O piauiense chegou ao Senado Federal pela primeira vez em 1967, sendo presidente da Casa por duas vezes e liderando nacionalmente a Arena (partido governista) em 1973.
Mas foi em 1977 que Portella iniciou a chamada "Missão Portella" e passou a negociar, entre a linha dura militar e a oposição, os termos da transição para a democracia. A articulação é considerada um dos principais marcos do processo de abertura política e ajudou a viabilizar a redemocratização do país.
Para além de um cargo, o piauiense teve papel decisivo na articulação que levou ao fim do AI-5, o mais rígido dos Atos Institucionais da ditadura militar. Como ministro da Justiça, Portella emplacou:
Fim da censura;Lei da Anistia (agosto de 1979), que beneficiou 4.650 pessoas, trazendo de volta exilados como Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes; Fim do bipartidarismo e reorganização partidária.
Todos esperavam o anúncio. Nos bastidores do regime, Portella era apontado como o nome mais forte para suceder João Figueiredo e se tornar o primeiro piauiense a chegar à Presidência da República. Quando, de repente, em 1980, o candidato promissor morreu aos 54 anos, em Brasília. Foi um ataque cardíaco que mudou o curso da história.
O próprio Figueiredo confirmou anos mais tarde a expectativa pela sucessão: "O Petrônio, que foi o meu ministro da Justiça, tinha chances de ser candidato (à Presidência da República), mas morreu no início do meu governo."
A morte prematura é apontada por historiadores como um fator que fragilizou o processo de redemocratização naquele momento.
O legado de Petrônio ficou marcado na história da política piauiense e é lembrado até hoje. Em sua homenagem, foi instalada uma estátua na Avenida Frei Serafim, uma das principais avenidas da capital piauiense.
Embora nunca tenha chegado ao Palácio do Planalto, Petrônio Portella entrou para a história como um dos principais articuladores da redemocratização brasileira e como o piauiense que esteve mais perto de assumir a Presidência da República.



