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Fida aprova resultados de projetos na cidade de Valença do PI

Larissa Machado/28/11/2016/493/0
Destaque

Junta do Fida visitou projetos desenvolvidos pela entidade no estado, por meio do projeto Viva o Semiárido.

 

O Piauí recebeu nesta semana a Junta Executiva do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (Fida) para agenda com o governador Wellington Dias, além de realização de workshop e visita a projetos financiados pelo fundo nas cidades de Valença, Ipiranga, Picos, Bela Vista do Piauí e Simplício Mendes.

A equipe é responsável por analisar e aprovar os projetos que receberão apoio do Fida. Nesta missão, o grupo veio visitar os projetos desenvolvidos pela entidade no estado, por meio do projeto Viva o Semiárido, executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

O secretário de Desenvolvimento Rural, Francisco Limma, participou da missão e afirmou que o governo tem apoiado as famílias do semiárido. “Foi uma forma de prestar contas de como estão sendo aplicados os recursos, se o projeto está atendendo ao objetivo principal na educação contextualizada e de redução da pobreza; alcançando, principalmente, as mulheres, comunidades quilombolas e jovens para que eles tenham chance de desenvolver atividades em suas regiões como, apicultura e cajucultura, por exemplo”.

O projeto tem como estratégia fortalecer a base produtiva nos diferentes territórios onde o Viva o Semiárido atua, buscando sempre envolver as famílias mais carentes, com foco nos jovens, mulheres e membros de comunidades quilombolas. Atualmente, o PVSA contempla 89 municípios dos territórios Vale do Sambito, Vale do Rio Guaribas, Vale Chapada do Itaim, Vale do Rio Canindé e Serra da Capivara, totalizando investimentos na ordem 13 milhões de reais e beneficiando 2.037 famílias piauienses.

Maria Irene de Sousa Coelho é representante da comunidade quilombola de São João da Varjota e presidente da Associação dos Artesãos da Comunidade Quilombola de Potes. “Há 12 anos sou presidente desta associação e esperamos que o projeto traga muitas coisas boas para nosso povo. Atualmente, nossos produtos são comercializados na comunidade e também em outros estados brasileiros como Brasília, Recife, Rio de Janeiro e outras mais. No Piauí, as cidades que mais compram nosso artesanato são Teresina e Picos.

As visitas ao interior ocorreram de 22 a 24 deste mês com a presença de técnicos da SDR, representes do Fida e da Junta Executiva do fundo internacional, composta por representantes de 10 países.

No Assentamento Angical, em Valença, o projeto está atuando no fortalecimento da ovinocultura, financiando a perfuração de um poço tubular, implantando o sorgo forrageiro e o capim de pisoteio e inserindo a irrigação para capim de corte. “Com a perfuração deste poço vamos remanejar a água para um tanque com capacidade de 500 mil litros, também construído pelo PVSA. Vamos utilizar a água do tanque para irrigar a produção e para o consumo dos animais. Agradecemos a Deus e ao Governo do Estado por termos sido contemplados com este projeto. Voltamos a ter esperança de ter uma vida mais digna”, afirmou Raimundo Moraes, de 60 anos e morador do assentamento Angical. O PVSA aplicou R$ 205.284,72 reais nesta Associação.

De acordo com Paolo Silveri, Gerente de Programas do Fida no Brasil, o grupo ficou contente com o que viu nestes três dias de visitas a comunidades, principalmente, nas dinâmicas entre o Governo do Estado e representantes da sociedade civil. “Puderam ver que neste estado a integração entre autoridades e sociedade civil é muito grande. A escolha pelo estado do Piauí foi resultado de uma seleção bastante longa, também pelo compromisso do governo que é muito grande com o Fida e com a redução da pobreza no estado”.
Sobre a parceria com o governo estadual, o representante da Junta, Yaya O. Olaniran, da Nigéria, afirmou que são projetos que focalizam as pessoas, levando-as onde querem ir, através de recursos e oportunidades que proporcionem a realização dos seus objetivos.

Castanha do Piauí conquista mercado na Europa

Na macroregião de Picos, a cajucultura é uma das principais atividades desenvolvidas pela agricultura familiar, contribuindo para a geração de trabalho e renda. A Central de Cooperativas dos Cajucultores do Piauí (Cocajupi) tem sede em Picos e é um empreendimento solidário, que congrega nove cooperativas mistas filiadas, sendo que oito são beneficiadas pelo Viva o Semiárido, totalizando 450 cooperados. O projeto conta com 30% da mão de obra feminina, com pretensão de aumentar este número.

O principal produto da cooperativa é a castanha do caju, tendo a Itália como o principal cliente. Jocibel Bezerra, diretor-presidente da Cocajupi, afirma que 90% do faturamento da empresa vêm da Europa. “Nossa castanha é toda certificada e vendida para o exterior a preço justo. A expectativa é que aumentemos nossa produção focando no mercado internacional. A preferência é pela castanha do caju anão precoce.”

A empresa também fabrica e comercializa cajuína e, atualmente, vende suas castanhas para uma empresa nacional de chocolate. “O PVSA investiu R$ 1.702.569,86 reais e nos contemplou com aquisição de mudas de caju e insumos, compra de dois tratores com implementos que vão ajudar a preparar a terra para o plantio, além da aquisição de máquinas para corte de castanha.  Com isso, nossa atividade será otimizada”, completou o diretor-presidente da Cocajupi, adiantando que a novidade da Cocajupi para o próximo ano será a produção de polpa de caju e de outras frutas.

Para driblar os efeitos da seca, a cooperativa utiliza o hidrogel, que funciona como uma bolsa que retém a água da chuva e mantém a planta molhada por até quinze dias durante o período de seca, reduzindo perdas de mudas. “O custo benefício vale muito a pena e acreditamos que este projeto com a utilização do hidrogel venha atrair olheiros que irão multiplicar esta inovação por todo o estado”, finalizou Jocibel Bezerra.


90% do mel produzido no Piauí é vendido para o exterior

Antônio Leopoldino Dantas Filho é diretor geral da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), com sede em Picos e formada por cinco cooperativas singulares, que são constituídas por 52 associações de 42 cidades, envolvendo 480 famílias de apicultores.  Ele afirma que o brasileiro não tem o hábito de consumir mel e, por isso, a venda no país é pequena.

“O brasileiro consome 94 gramas de mel por ano, enquanto os europeus e norte-americanos consomem de 900 a 1.400 gramas no mesmo período. Por conta disso, nosso mercado é mais focado no exterior. Hoje, 90% do mel do Brasil é vendido para o mercado externo, ficando apenas 20% no Brasil”.

No Piauí, no caso da Casa APIS, só 8% ficam no mercado interno. Atualmente, o maior cliente da empresa são os Estados Unidos. De acordo com o diretor da central, eles têm aumentado o consumo em 10 mil toneladas a cada ano. “O EUA são o maior produtor, importador e consumidor de mel no mundo. A Europa também é grande consumidora de mel, sendo também um bom cliente”, ressaltou Antônio Leopoldino.

O mel piauiense é exportado a granel em commodities, ou seja, produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade. No mercado nacional, o produto é comercializado nas embalagens em prateleiras de supermercado; enquanto para o exterior é vendido a granel, que não agrega valor.

O projeto Viva o Semiárido contempla parte do projeto com aquisição de máquinas que vão automatizar totalmente o processo industrial da Casa Apis nos setores de padronização do mel e no setor de fracionamento, responsável por embalar o produto.

A produção da Casa Apis está em constante crescimento. Em 2014 produziu 620 toneladas, em 2015 o número cresceu para 840 toneladas e este ano chegou a 1.000 toneladas. “Este crescimento deve-se à utilização de tecnologia, capacitação e assistência técnica, além de pesquisas sobre a convivência do apicultor com o semiárido. O Governo do Estado sempre tem apoiado nos últimos 14 anos. No nosso plano de negócio pelo PVSA está inclusa a aquisição de colmeias, indumentária do apicultor, cera, aquisição de veículo, reforma e ampliação da casa de beneficiamento do mel e adensamento da florada apícola, totalizando investimento de 1.700.945,12 reais”.

Na Casa APIS é realizado todo o processo desde o campo até a mesa do consumidor. A empresa é a maior em exportação de mel do Piauí; inclusive, está entre os maiores exportadores do estado, perdendo apenas para a soja e ceras vegetais. 

 

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